Sábado , 23 de Setembro de 2017

Nacional

Ministro Luiz Fux defende prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud

Magistrado afirmou nesta quarta (6) no STF que os dois delatores da Lava Jato "ludibriaram" a PGR.

Em 06/09/2017 , às 16h51 -

 Por Renan Ramalho, G1, Brasília
Imagem: DivulgaçãoMinistro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF)(Imagem:Divulgação)Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) 

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta quarta-feira (6) a prisão do empresário Joesley Batista – um dos donos da holding J&F – e do diretor de Relações Institucionais da empresa, Ricardo Saud, ambos delatores da Lava Jato.

Para Fux, os dois delatores "ludibriaram" a Procuradoria Geral da República (PGR).

Na última segunda-feira (4), o chefe do Ministério Público, Rodrigo Janot, determinou abertura de investigação para apurar se os delatores da J&F – grupo que controla o frigorífico JBS – omitiram informações dos investigadores nos depoimentos da delação premiada.

Dependendo do resultado das investigações, os benefícios concedidos pelo Ministério Público aos executivos da J&F poderão ser anulados, entre os quais a imunidade penal, que impede qualquer processo criminal contra eles.

“Acho que eles ludibriaram a Procuradoria, degradaram a imagem do Brasil no plano internacional, atentaram contra a dignidade da Justiça, mostraram a arrogância dos criminosos de colarinho branco. Então, eu acho que a primeira providência que tem de ser tomada é prender eles”, afirmou Fux ao chegar nesta quarta-feira ao STF.

Em um áudio de quatro horas aparentemente gravado por descuido, que foi entregue na semana passada à PGR, Joesley e Saud falam sobre possível tentativa de gravarem o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo (PT-SP) para o petista “entregar” ministros do Supremo.

No diálogo entre Joesley e Saud, ocorrido em 17 de março, os dois delatores também discutem uma forma de se aproximar de Janot por intermédio do ex-procurador da República Marcello Miller.

À época, eles ainda não haviam iniciado conversas para fechar o acordo de delação, e Miller ainda trabalhava na PGR como auxiliar do procurador-geral.

Ministros do STF

Nesta terça (5), dia em que o conteúdo da conversa entre Joesley e Ricardo Saud veio à tona, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, determinou que a PGR e a Polícia Federal investiguem as menções dos dois delatores a magistrados do tribunal.

Em um vídeo divulgado pela assessoria do Supremo, Cármen Lúcia disse que o objetivo da medida é não deixar “qualquer sombra de dúvida sobre a dignidade" da Corte e a "honorabilidade" de seus integrantes.

Magistrado mais antigo do STF, o ministro Celso de Mello também criticou o conteúdo da conversa entre Joesley e Saud.

“A necessidade de apuração dos fatos traduz uma exigência não só de ordem jurídica, mas de caráter ético, eis que as graves insinuações que transparecem nos diálogos mantidos por determinados agentes colaboradores mostram-se impregnadas de elementos que, se não forem cabalmente esclarecidos, culminarão por injustamente expor esta Corte e os magistrados que a integram ao juízo severo, inapelável e ao juízo negativo da própria cidadania”, disse Celso de Mello, no início da sessão de julgamentos desta quarta.

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