10/03/2012 - 16h22

Transformando campanha contra o Crack em votos

Que a luta contra o Crack, essa droga devastadora e com alto grau de dependência, deve ser uma luta constante das famílias caxienses e brasileiras, isso não resta dúvida. As campanhas desenvolvidas por instituições e os próprios governos estaduais e municipais, passaram a fazer parte do cronograma das secretarias de saúde e assistência social, tendo em vista, que a problemática já passou a ser encarada como questão de saúde pública.


O que geralmente se observa em vários municípios do país, é que as instituições públicas são mobilizadas e o próprio poder público passa a agir, criando uma estrutura que atenda a demanda gerada dia após dia.


Em Caxias-Ma, a campanha “Diga Não ao Crack” desenvolvida pela TV Difusora Caxias e a faculdade FACEMA (Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão), duas empresas ligadas ao atual prefeito da cidade Humberto Coutinho (PDT), revela uma situação que no mínimo deve ser encarada com alguma reserva e para observadores da política local contem cunho eleitoreiro.


A figura que mais aparece nas reportagens produzidas pela TV e que também é reportado como idealizador da ação é Léo Coutinho (PSB), sobrinho de Humberto Coutinho. O rapaz também é pré-candidato governista à sucessão nas próximas eleições.


O consenso nas rodas de discussões é quanto ao tema que deveria ser abraçado pelo governo municipal, mas o que se percebe é uma omissão do executivo, que atribui ao sobrinho do prefeito a responsabilidade de “encabeçar” uma discussão sobre o assunto na cidade. O que na realidade se percebe é o claro objetivo de angariar votos e menos o de atingir de fato, quem está precisando das ações dos órgãos constituídos.


A campanha como já se previa não tem consistência e a maior prova é a sua duração. Iniciada há cerca de duas semanas, será encerrada no próximo dia 24 de março, com uma série de ações que está sendo batizada de “Ação Global”. E depois?


Fica evidente que a preocupação com a temática não se revela como uma política pública. Mas apenas de promoção de um futuro candidato que está sendo inventado por um grupo político que está rachado em várias frentes. Muitas fissuras identificadas no grupo do atual prefeito de Caxias ficaram expostas, a partir do momento em que Léo Coutinho foi imposto por Humberto Coutinho como pré-candidato. A indicação do sobrinho acabou ferindo o ego daqueles que integram a base governista e que tinham a esperança de serem consultados para posterior escolha consensual, como o nome a disputar as eleições municipais de 2012.


Para suscitar mais uma vez o sentido eleitoreiro da campanha “Diga Não ao Crack”. Alguém já se perguntou, (e usarei aqui um bordão utilizado pelo professor Girafales da Série – Chaves): “Porque motivo, razão ou circunstância”, um jovem, parente de um prefeito que não pode mais se candidatar ao cargo que atualmente ocupa, aparece da noite para o dia na cidade e passa a se mostrar preocupado com os problemas sociais enfrentados pelos cidadãos deste município? Adivinha a que resposta eu cheguei?


Pois bem. É importante avaliar o que está por traz dos discursos, que muitas vezes estão abastecidos por ideologias continuísta

Fonte: Estadão

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