Na última semana, muita gente deve ter sentido em São Paulo algum desses sintomas: boca seca, falta de ar, irritação nos olhos, nariz, garganta. Eles são a ponta mais visível do excesso de poluição, agravado pelo tempo seco. Ou, mais especificamente, pelo material particulado ultrafino, as chamadas partículas inaláveis, da espessura de um quinto de um fio de cabelo.
Para tentar mudar esse cenário, São Paulo será a primeira cidade do mundo a adotar os limites para poluição do ar recomendados pela Organização Mundial de Saúde. A nova determinação virá por meio de decreto assinado pelo governador Alberto Goldman (PSDB) até dezembro, e valerá em todo o Estado, começando pela capital. O padrão será mais rígido e exigente que o atual, em vigor desde 1990. E deve implicar, além de novos requisitos para empresas obterem licenças ambientais, na aplicação de medidas mais extremas - como ampliação do rodízio de veículos sempre que o nível de poluição atingir índices críticos.
"As medidas estão sendo adotadas paulatinamente, como indica a queda dos níveis de poluição nos últimos anos. Mas, a partir dos novos padrões, o controle deve ser mais restritivo", explica Claudio Alonso, da Diretoria de Tecnologia, Qualidade e Avaliação Ambiental da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
Segundo ele, o novo padrão não "induz à adoção de medidas de restrição à circulação de veículos". "Restrições se adaptam a casos emergenciais, já bem reduzidos em São Paulo. Raramente se alcançam níveis de atenção, alerta ou emergência."
Transporte. Para ter efeito, o novo padrão deve vir acompanhado de ações como a expansão dos meios de transportes públicos. Sem alterações na mobilidade, os novos limites não surtirão efeito e serão ultrapassados constantemente. Hoje o tráfego nas maiores vias de São Paulo arrasta-se a 15 km/h. "É a mesma velocidade que os bandeirantes andavam no século 18. Não é possível melhorar a qualidade do ar com tanta emissão nesse anda e para", explica Paulo Saldiva, coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP. Em São Paulo, 4 mil pessoas morrem por ano de doenças provocadas ou agravadas pela poluição.
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