
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu nesta segunda-feira um "soco na boca" dos inimigos do país se a oposição levar à frente os grandes protestos planejados para esta semana, quando serão comemorados os 31 anos da revolta que instituiu o regime clerical xiita no país.
A oposição convocou os iranianos para protestos em massa na quinta-feira (11), para coincidir com as celebrações do aniversário da Revolução Islâmica. O líder da oposição Mir Hossein Mousavi está decidido a participar da manifestação, um passo que pode agravar as tensões, informou seu site nesta segunda-feira.
A data lembra o dia, em 1979, em que a Força Aérea iraniana decidiu unir-se ao líder da Revolução Islâmica, o aiatolá Khomeini, um momento-chave que levou à queda do xá Mohamad Reza Pahlevi.
O aiatolá Khamenei disse que os oposicionista são "contrarrevolucionários" usados pelos inimigos do país, os Estados Unidos, Reino Unido e Israel, e prometeu que a unidade iraniana em torno da Revolução Islâmica iria derrotá-los. A retórica antiocidental é uma da marcas do regime iraniano, assim como um crescente anti-sionismo, que permeiam também a negociação em torno do controvertido programa nuclear do país, que nesta semana entra em uma nova fase de enriquecimento de urânio.
Os iranianos "vão dar um soco em suas bocas para golpear [os inimigos]", disse Khamenei, afirmando que a oposição não era uma parte do povo iraniano.
"Hoje, está claro que aqueles que estão contra o grande trabalho feito pela nação iraniana na eleição, não são parte do povo", disse o líder supremo.
"O principal objetivo da sedição desde a eleição é dividir a nação iraniana, mas não conseguiu fazê-lo, e, para isso, a unidade do país continua sendo um pilar fixo", afirmou ainda Khamenei, aludindo à oposição liderada por Mousavi e também por Mehdi Karubi, o outro candidato derrotado na eleição presidencial.
A oposição alega que Mousavi foi o vencedor legítimo da eleição presidencial de 12 de junho e que a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad foi fraudulenta.
Protestos de rua têm persistido, apesar de uma forte repressão das forças de segurança. Centenas de pessoas foram presas e, no mês passado, houve duas execuções, e foram anunciadas penas de morte contra nove pessoas acusadas de participação nos distúrbios pós-eleitoral. As decisões foram vistas como uma tentativa do judiciário de intimidar os manifestantes.
A agência semi-oficial Isna informou nesta segunda-feira que o ex-vice-chanceler Mohsen Aminzadeh foi condenado a seis anos de prisão por um tribunal revolucionário uma das figuras mais altas condenadas entre grupo de cem ativistas e políticos reformistas em um julgamento em massa.
Aminzadeh trabalhou no governo do presidente moderado Mohammad Khatami, outro expoente da resistência pós-eleitoral.
Khatami fez nesta segunda-feira um apelo para que os iranianos mantenham os protestos.
"Se Deus quiser, todas as pessoas vão participar das marchas [de 11 de fevereiro], com os objetivos comuns de defender a revolução e os direitos humanos, como principais proprietários da revolução", disse Khatami à agência de notícias Ilna.
Fonte : Folha Online
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