O irmão do papa Bento XVI disse em entrevista nesta terça-feira (9) que deu tapas no rosto de alunos em uma escola alemã onde foi diretor do coral, mas que não tinha consciência da brutalidade da disciplina aplicada na escola.
O reverendo Georg Ratzinger, de 86 anos, deu as declarações a um jornal alemão após a divulgação de acusações de abusos sexuais e físicos cometidos em escolas católicas da Baviera, a região natal do papa. Escândalos de abuso sexual também abalaram as igrejas dos Estados Unidos e Irlanda.
Georg Ratzinger em foto de 23 de abril de 2005. (Foto: AFP)
"Durante viagens para concertos, alunos me contavam sobre o que acontecia. Mas, pelas histórias que me contaram, não me dei conta de que eu deveria tomar uma atitude. Eu não tinha consciência da extensão desses métodos brutais", disse Ratzinger ao "Passauer Neue Presse".
"Se eu tivesse tido conhecimento do excesso de força que estava sendo utilizado, eu teria dito alguma coisa... Peço perdão às vítimas", disse Ratzinger, que comandou o "Regensburger Domspatzen", ou Pardais da Catedral de Regensburg o coral oficial da diocese de Regensburg - entre 1964 e 1994.
"No início, eu também estapeava pessoas no rosto, mas sempre fiquei com a consciência pesada", disse Ratzinger, que afirmou que o diretor da escola castigava os alunos da mesma maneira.
A diocese de Regensburg é uma das três escolas católicas do Estado meridional da Baviera em que acusações de abusos sexuais e físicos têm vindo à tona regularmente.
A diocese declarou que um padre abusou sexualmente de dois meninos em 1958 e foi sentenciado a dois anos de prisão. Outro clérigo cumpriu 11 meses de prisão em 1971 por abuso. Outros ex-alunos disseram ter sofrido abusos sexuais, humilhações e espancamentos excessivos no início dos anos 1960, por parte de professores cujos nomes não foram citados.
O papa alemão Bento XVI, ex-cardeal Joseph Ratzinger, lecionou teologia na Universidade de Regensburg entre 1969 e 1977.
Relatos divulgados no mês passado disseram que padres católicos abusaram sexualmente de mais de 100 crianças em escolas jesuítas espalhadas pela Alemanha. O arcebispo Robert Zollitsch, presidente da Conferência dos Bispos Alemães, divulgou um pedido público de desculpas e deve viajar ao Vaticano na sexta-feira para discutir o escândalo.
Ratzinger reconheceu ter aplicado castigos físicos a alunos, mas disse que nunca os espancou excessivamente e que ele e seus colegas em Regensburg nunca falaram sobre abusos sexuais. Ele disse que ficou feliz quando os castigos corporais foram proibidos, em 1980.
A Igreja Católica vem enfrentando acusações de abuso em vários países.
No mês passado o papa Bento convocou bispos irlandeses ao Vaticano para serem repreendidos por um escândalo de pedofilia, depois de um relatório governamental ter revelado que líderes da Igreja tinham acobertado o abuso corriqueiro de crianças cometido por padres durante 30 anos.
Na Holanda, mais de 200 católicos já se apresentaram para relatar abusos sexuais que teriam sofrido da parte de padres, em muitos casos décadas atrás. Os bispos holandeses devem reunir-se na terça-feira para discutir o assunto.
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