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Sábado, 4 de setembro de 2010

Fã do Rei Roberto, Rubén Magnano revela o seu lado romântico no Pão de Açúcar

08/02/2010 11:47h

No alto do Pão de Açúcar, numa manhã de sol implacável e nenhuma nuvem, o argentino Rubén Magnano olha para baixo e observa o Bairro da Urca. Nem desconfia que ali, ao alcance dos olhos, mora alguém que, de certa forma, marcou sua geração: o Rei Roberto Carlos. E quando um telefone celular começa a tocar “Como é grande o meu amor por você”, o novo técnico da seleção brasileira de basquete abre um sorriso. Passa a reconhecer as músicas e, mais que isso, cantarola algumas. Em dois tempos a fama de durão dá lugar a outro traço da personalidade.

- Se sou um romântico? Podemos dizer que sim. O romantismo fazia parte das pessoas, hoje isso se perdeu. Já me falaram que sou muito idealista quando penso. Mas se não dermos espaço ao romantismo, é muito difícil alimentar o nosso sonho – teorizou Magnano, logo após cantar um trecho de “El gato que está triste y azul”, que Roberto gravou em espanhol.

“Roberto Carlos foi muito importante na minha época. É um cantor muito ouvido”

De triste, aliás, aquele cenário não tinha nada. E foi sob o céu azul, no lugar que desejava conhecer, que o técnico bateu um papo descontraído com o GLOBOESPORTE.COM na manhã de sexta-feira, poucas horas antes de viajar para os Estados Unidos, onde acompanha os brasileiros da NBA. Entre uma e outra pausa para fotos com fãs que o reconheciam, faziam perguntas, pedidos e desejavam boa sorte, ele se divertiu e falou de tudo. Menos de basquete.

Quando a música estava em pauta, Magnano lembrou o rock argentino da segunda metade do século 20, quando a ditadura sufocou seu país e censurou grupos estrangeiros. Admirador de Led Zeppelin, Janis Joplin, Frank Zappa e Rolling Stones, o técnico de 55 anos sabe que, quando a sedução está em jogo, o Rei é imbatível.

- Roberto Carlos foi muito importante na minha época. É um cantor muito ouvido no meu país. Quando se está “enamorado”, a música dele não tem erro – brincou.

No alto do Pão de Açúcar, Rubén Magnano se encanta com o visual: "O Rio é uma cidade belíssima" (Rodrigo Alves/GLOBOESPORTE.COM)

Enquanto não se muda de vez para São Paulo, onde vai morar a partir de março, Magnano curtiu a paisagem da Cidade Maravilhosa com a elegância habitual, apesar do forte calor. Cuidadosamente vestido com a camisa polo oficial da Confederação para dentro da calça cinza, ele mantém os cabelos sempre alinhados para trás e cultiva um bigode já tradicional. Fala baixo, gesticula pouco, mas pergunta muito, interessado em detalhes da cultura brasileira.

E olha que o treinador já rodou bastante pelo país. Conhece bem o Nordeste, o Sudeste e o Sul. Difícil é esconder o encantamento olhando do alto a sede dos Jogos de 2016.

- O Rio é uma cidade belíssima, e curiosa por ter praias e montanhas. Vivi a experiência de três Olimpíadas. Para quem vai ver uma competição como essa, a beleza natural e a cultura também são importantes – opinou.

Em uma dessas experiências olímpicas, viveu o auge da carreira, com o ouro histórico da Argentina em Atenas-2004. Dois anos antes, ele já tinha conquistado a prata no Mundial de Indianápolis. Mas o primeiro troféu significativo veio bem antes disso, ainda na infância. Um detalhe aparentemente pequeno, mas muito grande para esquecer.

- A igreja fazia jogos de crianças. Uma vez eu participei de uma corrida de saco e recebi um conselho precioso do padre. Ele me disse para, em vez de saltar, colocar o pé nas pontas do saco e ir andando. Fiz assim e acabei vencendo. Por muito tempo aquele troféu foi guardado como o mais importante. Depois a medalha de prata no Mundial ganhou um lugar de destaque na parede de casa.

Fã da minissérie brasileira “A casa das sete mulheres”, Magnano lembra de ter visto a novela “O rei do gado”. Mas gosta mesmo é da tela grande. E com tantas memórias de infância, fica fácil entender por que “Cinema Paradiso” é seu filme predileto, contando a história do menino Totó, morador de um vilarejo da Sicília, que passava as tardes no cinema fazendo companhia ao projetor Alfredo. Anos depois, Totó – já Salvatore, um cineasta de sucesso – recebe um telefonema comunicando a morte do amigo, o que traz lembranças dos velhos tempos.

“Quando estava bem, Ronaldinho Gaúcho era o melhor jogador brasileiro. Dava gosto de vê-lo jogar. Mas quem me encantou mesmo foi a seleção dos anos 70. Rivelino, Tostão e Pelé...”

"Nossa senhora!"

Magnano também gosta de lembrar da família que construiu. Pai de Sofia e Francisco, ele se orgulha da longa união com Patrícia, que vai morar com ele na Terra da Garoa e até hoje não aceita o fato de o marido não saber dançar tango. Quando pensa nos 26 anos de casamento, evoca uma expressão que já aprendeu em português:

- Nossa senhora! – diverte-se, na língua nativa, emendando outra frase, de cunho bem menos religioso e impublicável, que aprendeu com o assistente José Neto.

Ao contrário de Roberto Carlos, a fé do treinador não está voltada totalmente para os céus. Ele ri desconcertado ao revelar que só recorre a Jesus Cristo ou Nossa Senhora quando precisa muito. Foi criado como católico, mas tem muitos questionamentos. E não se esquiva na hora de falar de um assunto “sagrado” para Brasil e Argentina: o futebol. Magnano diz que virou jogador de basquete por uma questão genética - a mãe, o pai e os tios jogavam -, mas antes disso se aventurou nos gramados, trocando as mãos pelos pés.

- Eu jogava no meio de campo, era um volante de contenção. Meio como Dunga. Mas terminei correndo atrás da bola - ri.

Magnano foi abordado algumas vezes por fãs brasileiros durante a visita ao Pão de Acúcar (Rodrigo Alves/GLOBOESPORTE.COM)

Se os pés não são bons no tango nem na bola, o argentino mostra que a experiência o ajudou a entender um pouco de futebol. Prefere o Maradona jogador ao técnico e – romântico, claro – revela admiração por Ronaldinho Gaúcho e pela seleção brasileira tricampeã mundial em 1970.

- Quando estava bem, Ronaldinho era o melhor jogador brasileiro. Dava gosto de vê-lo jogar. Mas quem me encantou mesmo foi a seleção de 70. Rivelino, Tostão e Pelé... - recorda o argentino.

Para a Copa deste ano, o romantismo anda de mãos dadas com a desconfiança.

- Acho que a Argentina vai bem. É um desejo que se tome o futebol como algo que dá otimismo e alegria. Mas vamos ver a preparação...

Torcedor do Club Atlético Belgrano, time de Córdoba que está na Segunda Divisão, Magnano admite que alguns brasileiros já tentaram convertê-lo. Durante a viagem de volta do bondinho, antes de se despedir do Pão de Açúcar, recebeu mais sugestões e arrancou risadas ao revelar a sua escolha diplomática após ver um jogo na TV.

- As pessoas ficavam me falando de Flamengo e Fluminense. Mas sou Boavista!

Assim como o Rei Roberto, Magnano é terrível...

Fonte : GLOBOESPORTE.COM Rio de Janeiro
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