
BRASÍLIA - O DEM formalizou ontem o apoio à candidatura do senador José Sarney (PMDB) à presidência do Senado. A decisão da bancada foi unânime e ninguém faltou à reunião. Com o apoio, Sarney consolida ainda mais sua candidatura. Ele já tem o apoio do PMDB, do PTB, do PR e do PCdoB. A eleição no Senado ocorre na manhã da próxima segunda-feira. Para o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), o PT de Tião Viana, adversário de Sarney na eleição do Senado, já tem a presidência da República e não precisa de mais que isso. “Tião Viana é do PT, que já detém o Poder Executivo. Ter a presidência da República e o Congresso é demais”, disse Maia.
“O senador Sarney é um homem de diálogo, não é petista, não tem alinhamento com o Executivo. O senador Tião é integrante do PT, que já detém o Executivo”, afirmou o democrata.
O DEM voltou ontem a ter a segunda maior bancada no Senado, com o retorno da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE) às atividades parlamentares. O partido tem, agora, 14 senadores - perdendo apenas para o PMDB, que reúne 20 parlamentares. O PSDB ficou em terceiro lugar, com 13 senadores, seguido pelo PT, com 12.
Maria do Carmo esteve afastada do Senado por mais de 120 dias em conseqüência de problemas de saúde. Apesar de ainda estar fisicamente debilitada, a senadora retornou num momento estratégico para o partido que, como a segunda maior bancada, passa a ser a segunda legenda com a prerrogativa de escolher cargos na Mesa Diretora e nas comissões permanentes da Casa.
Sarney espera também o apoio do PSDB, que tem 13 senadores. Os tucanos devem definir que candidato apoiar na disputa pelo Senado ainda hoje.
2010
O líder democrata desvinculou o apoio a Sarney à eventual aliança com o PMDB em 2010, para a disputa pela presidência da República. “Não há compromisso de votar em Sarney para o PMDB estar alinhado conosco em 2010. A opção é em cima das necessidades do Congresso Nacional”, afirmou.
Agripino reconheceu, porém, que o DEM decidiu migrar para a candidatura de Sarney porque a oposição não tem votos suficientes para eleger candidato próprio à presidência do Senado. “Se tivéssemos número para ganhar, teríamos uma candidatura nossa. Mas não temos. Então, apoiamos a candidatura mais viável. Não estou votando no Renan, estou votando no Sarney”.
O DEM vai pedir a 1ª secretaria da Mesa, a ser ocupada pelo senador Heráclito Fortes (PI), assim como a presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) ou da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). “Se o PMDB, que é a maior bancada, escolher a CAE, nós ficamos com a CCJ. Ou então, o contrário”, afirmou o líder.
Se ficar com a presidência da CCJ, como é a sua preferência, o DEM indicará o senador Demóstenes Torres (GO) para a sua presidência. O DEM ainda pretende indicar o senador Adelmir Santana (DF) para ocupar um segundo cargo na Mesa Diretora e o senador Raimundo Colombo (SC) para a liderança da minoria do Senado - que nesta legislatura está nas mãos do partido.
Com o apoio formal do DEM, Sarney já contabiliza ao menos 47 votos (sem contar as possíveis traições). Bem mais do que os 41 (são 81 senadores) necessários para derrotar Viana.
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