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Sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Cabral classifica de 'covarde' a emenda dos royalties

11/06/2010 07:55h

O governador do Rio, Sérgio Cabral, veio aos holofotes para criticar a emenda que redefiniu a distribuição dos royalties do petróleo.

Enganchou na emenda dois adjetivos fortes: “covarde” e “demagógica”. Disse ter tocado o telefone para Lula.

Contou ter ouvido do presidente o compromisso de vetar a novidade. Um detalhe fez crescer a irritação de Cabral, que já era grande.

A emenda que o Senado aprovou de madrugada redistribui entre os Estados não apenas a renda das jazidas novas, mas também das antigas, já licitadas.

Pelas contas de Cabral, o petróleo rendeu às arcas do Rio, no ano passado, R$ 7,5 bilhões. Não vê sentido em partilhar essa verba com outros Estados:

"Esse dinheiro não resolve nenhum problema dos outros Estados e prejudica fragorosamente o Rio de Janeiro".

Curiosamente, Cabral investe contra uma emenda de autoria de Pedro Simon (RS), um senador que coabita com o governador os quadros do PMDB.

Simon reeditou no Senado emenda que havia sido apresentada na Câmara pelo deputado Ibsen Pinheiro (RS), também do PMDB.

A redistribuição dos ganhos do petróleo prevalecera também entre os deputados.

No Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula na Casa, tentara excluir o tema da votação, adiando o debate para novembro, depois das eleições.

Contra Lula e sob protestos das bancadas do Rio e do Espírito Santo, os Estados mais prejudicados, Simon não deixou.

A exemplo de Cabral, Lula também veio à boca do palco nesta quinta (10). Insinuou que, de fato, deve se valer do poder do veto.

Não está insatisfeito apenas com a encrenca dos royalties. Ficou incomodado com outra novidade injetada no projeto do Fundo Social.

Os senadores decidiram que 50% das verbas do fundo, que será fornido com os dividendos do pré-sal, terão de ser destinadas à educação.

Uma camisa-de-força que deixou Lula abespinhado: "É 50% para educação, daqui a pouco é 50% para não sei o quê...”

“...Daqui a pouco o governo não vai ter como fazer política social, porque já está carimbado".

Acomodado nas profundezas do oceano, o óleo do pré-sal só vai ser içado à superfície, em escala comercial, lá pelos idos de 2015.

Vai virar investimento social ali por 2020. Mas a cobiça é, desde logo, grande, muito grande, enorme.

A julgar pelo uso que governadores e prefeitos fazem hoje da verba que resulta da exploração petroleira, a redistribuição não prenuncia boa coisa.

Apenas espalha a perversão. Hoje concentrado nos Estados e prefeituras que produzem óleo, o descalabro se tornaria um fenômeno nacional.

Fonte : Blog do Josia Sousa
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