O governador do Rio, Sérgio Cabral, veio aos holofotes para criticar a emenda que redefiniu a distribuição dos royalties do petróleo.
Enganchou na emenda dois adjetivos fortes: “covarde” e “demagógica”. Disse ter tocado o telefone para Lula.
Contou ter ouvido do presidente o compromisso de vetar a novidade. Um detalhe fez crescer a irritação de Cabral, que já era grande.
A emenda que o Senado aprovou de madrugada redistribui entre os Estados não apenas a renda das jazidas novas, mas também das antigas, já licitadas.
Pelas contas de Cabral, o petróleo rendeu às arcas do Rio, no ano passado, R$ 7,5 bilhões. Não vê sentido em partilhar essa verba com outros Estados:
"Esse dinheiro não resolve nenhum problema dos outros Estados e prejudica fragorosamente o Rio de Janeiro".
Curiosamente, Cabral investe contra uma emenda de autoria de Pedro Simon (RS), um senador que coabita com o governador os quadros do PMDB.
Simon reeditou no Senado emenda que havia sido apresentada na Câmara pelo deputado Ibsen Pinheiro (RS), também do PMDB.
A redistribuição dos ganhos do petróleo prevalecera também entre os deputados.
No Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula na Casa, tentara excluir o tema da votação, adiando o debate para novembro, depois das eleições.
Contra Lula e sob protestos das bancadas do Rio e do Espírito Santo, os Estados mais prejudicados, Simon não deixou.
A exemplo de Cabral, Lula também veio à boca do palco nesta quinta (10). Insinuou que, de fato, deve se valer do poder do veto.
Não está insatisfeito apenas com a encrenca dos royalties. Ficou incomodado com outra novidade injetada no projeto do Fundo Social.
Os senadores decidiram que 50% das verbas do fundo, que será fornido com os dividendos do pré-sal, terão de ser destinadas à educação.
Uma camisa-de-força que deixou Lula abespinhado: "É 50% para educação, daqui a pouco é 50% para não sei o quê...”
“...Daqui a pouco o governo não vai ter como fazer política social, porque já está carimbado".
Acomodado nas profundezas do oceano, o óleo do pré-sal só vai ser içado à superfície, em escala comercial, lá pelos idos de 2015.
Vai virar investimento social ali por 2020. Mas a cobiça é, desde logo, grande, muito grande, enorme.
A julgar pelo uso que governadores e prefeitos fazem hoje da verba que resulta da exploração petroleira, a redistribuição não prenuncia boa coisa.
Apenas espalha a perversão. Hoje concentrado nos Estados e prefeituras que produzem óleo, o descalabro se tornaria um fenômeno nacional.
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