Em 2017-01-03 17:36:00 - Por César William

Imagem: Momento da posse de Domingos Dutra em Paço do LumiClique para ampliarDomingos Dutra sendo empossado ao lado da esposa e lideranças políticas(Imagem:Momento da posse de Domingos Dutra em Paço do Lumi)Domingos Dutra sendo empossado ao lado da esposa e lideranças políticas 
 Confesso que ando, como (quase) todo mundo, ressabiado com a classe política, mas mesmo assim fui à posse do novo prefeito de Paço do Lumiar, Domingos Dutra. Por lá me deparei com gregos e troianos, também com mouros e lusitanos.

Só não sabia é que seria brindado com o solo sol de Zara que me fez amenizar a dor imensa da saudade da minha princesinha Emily que foi passar uns dias em Timon, juntamente com sua mãe e sua irmã para conhecer vó, tios,primos e amigos.

Não quis saber de ouvir discurso na Câmara, fui direto à mágica tenda armada no coração da praça Nossa Senhora da Luz, ocasião em que tive o privilégio e a honra de rever amigos que há muito não via, como o professor Joan Botelho, ícone da educação deste país, historiador que em breve lançará novo livro sobre a História do Maranhão e que me rendeu longo e valoroso diálogo,

Havia aproximadamente 600 pessoas, segundo minha estimativa.Já passava das 13 e o povo já se inquietava com a demora do novo gestor. Enquanto isso, eu torcia para que ele demorasse, porque estava sendo guiado, tragado pelo show de Wilson Zara com o fino da MPB e a magia da sua voz, irreverência e dedilhar.

Houve ameaça de chuva que ainda fez seus ensaios, entretanto, o sol de Zara zerou plúmbeas nuvens e pela graça de Deus me livrou de tremenda angústia. E como me livrou, enxugou minhas lágrimas e me jogou para alto voo, bem fora da asa.

E surpresas me visitaram, como o repasse da faixa feita com classe e ombridade pelo ex-prefeito, Josemar Sobreiro, acompanhado da esposa, confreira Ivone Oliveira que trajava esperança; a paciência do público que educadamente soube aguardar seu novo governante e o sábio discurso da vice-prefeita, Maria Paula que como o do seu parceiro eleito foi bem coerente.

E para fechar com chave de fino ouro, engajadíssimo e autêntico discurso de Dutra que após expor suas metas prioritárias cantou, acompanhado da esposa e também advogada, Núbia Dutra e com o público a música que foi sua canção de campanha e será da sua gestão, VAI DAR TUDO CERTO.

Torcemos para que dê, intrépido Dutra,em quem não votei, mas que agora é meu, nosso prefeito e que apoiarei, a fim de que tenhamos melhoras, sobretudo no âmbito educacional. Saúde, sabedoria, paz e poesia... Sucesso!

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César William é poeta, professor e pesquisador - Membro da Academia Luminense de Letras e da Associação Maranhense de Escritores Independentes - Amei.
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Em 2016-11-16 20:35:00 - Por César William

Imagem: Casa de Cultura Mario QuintanaMáquina de escrever do poeta Mario Quintana (Imagem:Casa de Cultura Mario Quintana)Máquina de escrever do poeta Mario Quintana
            
   A Olimpíada de Língua Portuguesa deste ano escreveu-me não só o futuro, mas um além. Um muito além do que meus tímidos passos sozinhos poderiam ritmar. Em carona na “Van Verde-Limo” da minha aluna cronista,  Mickaelly Raquel Freitas Cunha, do 9º ano do Pão da Vida, escola pública de Paço do Lumiar-MA, cheguei à Rua dos Cataventos, em Porto Alegre, saindo do poema como uma faísca nascendo entre brumas e acaso para constatar que de  fato “a luz de um morto não se apaga nunca”.  

            Não a de qualquer morto, mas a de um “imorrível” como Quintana. Ir ao seu quarto secreto, contemplar seu pianinho, hoje emudecido, com teclas em estado de greve, trouxe-me a sensação de o tê-lo em carne e osso. É como se ele estivesse ali a me recepcionar e o fizera.

            Passei o resto da tarde da última quarta-feira (9/11) sem chão, pisando nuvens e ouvindo a reverberação de  “Listen to the rain”,  da Enya, conduzindo-me por outras ruas que me catavam e me canalizavam tornando-me uma nota que se perdia e se reencontrava repetidas vezes em rastros alaranjados no centro histórico de Porto.

            Até chegar ao Margs – Museu de Artes do Rio Grande do Sul, um colossal monumento arquitetônico erguido sob variados estilos  que me engoliu, tirou-me não sei de onde e me pôs em curvas, cores, traços, pontos, asas, voos das  telas e das instalações de Zoravia Bettiol, artista múltipla que se desdobra sem   se  limitar à unidade estilística, abraçando a diversidade, em muitos momentos versando ela mesma para anunciar e denunciar as mazelas e os desvelos de uma sociedade estranha, estrábica.

                Zoravia e Mario, ambos rio-grandenses-do-sul, artistas completos e transbordantes, nomes paroxítonos que deveriam receber acento gráfico pela mesma regra, mas não o têm e pô-lo seria uma ofensa a quem acena em prol da desobrigatoriedade, seja na tela ou na lauda.

                Com Mario aprendi que ”se as coisas são inatingíves... ora!/ Não é motivo para não querê-las/ que tristes os caminhos, se não fora/ a presença distante das estrelas!” Mas, com Zoravia, octagenária menina, bem viva e vivaz, pude tingir o inatingível, passeando pelos salões do Margs, a partir dos seus infindos reinícios – fôlegos para se desdobrarem no seu canto infindo e libertário, em seu mundo lírico ou onírico.

                De agora em diante, zoraviar e se embrenhar mais nos quintanares será uma missão em que este missionário  cumprirá com mais tino e mais prumo, sem necessariamente usar medidas ou apuros para fisgar palavras e cores e linhas e pontos, mas para unir dois mundos, de diferentes planos, mas que me levaram às suas planícies de forma quase sincrônica..  

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Em 2016-09-08 11:04:00 - Por César William

Enquanto não chega setembro, é tempo para se homenagear aquela que chegou ao seu quarto centenário com mais de um quarto da sua face original desconfigurada, quer pela ação do tempo, quer pela indiferença humana ou pela “força da grana que ergue e destrói coisas belas”, na maioria das vezes.


Tudo o que já foi dito de bom para homenagear São Luís é pouco, diante da sua riqueza cultural, contempladora das múltiplas facetas no mundo artístico: literatura, música, folclore, arquitetura, artes plásticas, cênicas etc.

Mas, há que se registrar que ao invés de bolos e fogos, melhor seria oferecer à outrora conceituada com o epíteto de Atenas Brasileira cápsulas de consciência ao seu povo - cerca de um milhão de habitantes e a seus governantes, pois boa parte destes sequer conhece e se preocupa em conhecer sua História.

Esse desinteresse conduz a maioria dos ludovicenses a um boicote involuntário acerca da memória da terra de Ferreira Gullar que já no final da terça parte do século XX, registrava em seu Poema Sujo que “debaixo das palafitas/ onde moram os operários da Fábrica/ de Fiação e Tecidos da Camboa/ Assim apodrece o Anil/ ao leste de nossa cidade/ que foi fundada por franceses em 1612/ e que já o encontraram apodrecendo”.

E o que diremos hoje do Rio Anil? Que virou nome de shopping? O que dele flui? E a urbe que no dizer de Bandeira Tribuzi, em seus versos, também em mesma época “vista do mar, a cidade,/ subindo suas ladeiras,/ parece humilde presépio/ levantado por mãos puras”?
São Luís é, de fato, uma cidade mágica, com potencial turístico. E, independentemente dos títulos que hoje ostenta, é promissora quanto ao polo de desenvolvimento econômico e privilegiada quanto ao seu complexo portuário, que a torna uma cidade de fácil acessibilidade ao mundo, embora ela não seja erguida hoje por mãos (tão) puras, como fora na visão do vate. 

Também continua revelando nomes que a emblematizam no cenário das letras, porém necessitando que sua gente entenda que Odorico Mendes, João Lisboa, Artur e Aluísio Azevedo, Graça Aranha, dentre muitos outros, não são apenas nomes de praças, ruas e prédios e que precisam ser lidos.

Da mesma forma, novos poetas e prosadores devem ser apreciados, difundidas suas obras. Que nossa cidade não sirva apenas como fonte exótica para pesquisas ou registros cinematográficos ou fundos novelísticos mal fundamentados. A cidade merece mais, merece ser cidade.

Que muitos dos seus casarões não sejam só cascas, fachadas para abrigo da indigência e do descaso. Que seus azulejos não sejam substituídos por vidraças, que seus telhados, tão bem cantados pelo poeta José Chagas, não se transformem em lajes que aleijam sua memória.

Que suas ruas estreitas e ladeiras não sejam latrinas. Que suas praças não sejam depósitos de bugigangas, com homens se iludindo nas curvas do tempo. Que suas bibliotecas não se fechem ao povo como em antigos mosteiros. Que suas pontes apontem para o progresso, sem trazer-lhe regresso. Que cantemos  teu hino, São Luís, para que aprendamos tua poesia, sempre. 
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*Poeta, professor e pesquisador.
*Publicado neste blog em 01/04/2013.
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Em 2016-09-01 11:47:00 - Por César William

     Quando os justos governam, alegra-se o povo; mas quando o ímpio     domina, o povo geme”. Não adianta fugir do sábio provérbio. O povo é quem sempre  paga o pato. Também não é necessário ler Riboldi para entender a origem dessa “patança”,    pois (contrariando a música e a poesia) o acaso  não irá  nos proteger, enquanto andarmos  distraídos.

     Porque todos somos culpados. Não temos coragem de boicotar. Não aderimos a greves, por um pão tão pequeno embrulhado no fundo do estômago. Não temos coragem, porque somos desunidos, frágeis na imensidão do canalhismo que impera nesta Bruzundanga, antes mesmo que Dom João VI soltasse seus fedorentos puns na cara da nossa gente.

         Se Renan é canalha, se o Lula é de um grito inácio ou se Eduardo é cunha na enxada que ceifa o trigo antes do seu broto, isso tudo é muito relativo. Mas, não um superlativo absoluto em que não possamos ver e sentir o cego golpe da impávida lâmina torta e cega.

       Não mais cega que milhões de fãs do Neymar. Homens e mulheres capazes de arrancar os próprios olhos para pagar um ingresso e assistir a um espetáculo em que Marta, nem de longe vê a cor do repasse - resultado de uma tabela mal elaborada, com rendas destoantes bancando tolos e fantasmas.

       Ou vamos para as ruas, TODOS, cobrar o que é nosso, elaborar nossa CONSTITUIÇÃO, fechar rádios e tevês, prender prefeitos e secretários, sitiar estados e não estádios; boicotar produtos, fazer pronunciamentos, deixar de ser poetinhas engravatados, posando em colunismo barato e em academias fúteis, inúteis à sociedade ou essa Bruzundanga será sempre um chute em nosso saco.  

        

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Em 2016-08-05 10:46:00 - Por César William

 LAMBANÇA NA SECULT

Muitos se derretem em angústia quando gestores se recusam ou se omitem a realizar algum evento. Preferível mil vezes é que assim o façam, a terem que forjar uma fantasia só para cumprir tabela para depois lhes serem peso demais sobre a cabeça, por não honrarem certos compromissos.

A Secult, Secretaria de Cultura de São, Luís, tem feito muitos secarem as pernas de tanto andar para sua sede, na Rua do Mocambo, 352 - Centro da aludida cidade. Tem sido comum a ida de credores àquela Casa na tentativa de receber (ao menos) explicações plausíveis acerca da falta de recebimento de pagamento por algum tipo de prestação de serviço.


Mesmo quem atendeu a exigências sob rigor de editais, submetendo-se a prova de títulos e até mesmo a uma produção textual não está livre desses malogros. É o caso dos jurados do Carnaval de 2016 que até a presente data não receberam a importância que lhes é devida, pelo fruto do trabalho desempenhado na Passarela do Samba. E não me reporto a quem não correspondeu ao que se propôs, mas aos que trabalharam comprometida e conscientemente.


Ligar para a secretaria não adianta, pois o telefone é inoperante. Então,liga-se para o celular de um funcionário que fornece o número do celular de uma funcionária. Esta embruma algumas vezes, depois indica para outro setor. Este remaneja a outro que finalmente conduz suas vítimas ao Setor Jurídico.

O "SJS" apresenta-se de papéis em mão e dá previsão, com brevidade, fornecendo outro número de telefone celular para contato. Liga-se, liga-se, quando raro alguém atende para dizer: "até agora, nada! Ligue tal dia".

Isso vem se repetindo há meses. Até que, para animar ou reanimar um pouco mais suas vítimas, eis que um funcionário atende dando sinal positivo dizendo que está tudo homologado e que em breve sairá o pagamento. Mas, indo lá outras e outras vezes, alguns "servidores" alegam, em tom de risos, que eles ainda não pagaram nem as prestações de serviço de muitos do Carnaval de 2015.

De tanto ser Jó, resolvemos procurar o secretário, Sr. Carlos Marlon de Sousa Botão. Este nos recebeu no dia 20 de julho em seu gabinete. De olhos nos olhos, explicou-nos que tudo acontecera devido a um problema técnico detectado horas antes da festa carnavalesca ter seu início.


Segundo o Sr, Botão, o fato dos editais para exposição de processos licitatórios não terem sido publicados em jornais de grande circulação, contribui para que não houvesse a liberação da verba, mas que tudo já estava homologado e que mais tardar, até primeiro de agosto a efetuação do pagamento seria feita por uma empresa que por enquanto não a citaremos nessa lambança. Botão nos levou a uma outra sala e solicitou que uma funcionária anotasse todos os meus dados,saindo apressado, ratificando a previsão da data anunciada.
Jurava que seria o epílogo da historinha.


Fui novamente na última terça-feira 02/08, não encontrei o Botão, somente algumas rosas emurchecidas e uns cravos esquálidos - outros credores, de outros carnavais. NÃO DESISTIREMOS E NÃO SILENCIAREMOS MAIS. ESTE É APENAS O PRINCÍPIO DE UMA BUSCA E DENÚNCIA A ESSE ABUSO.
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Em 2015-11-21 12:12:00 - Por César William

Com vasta programação, aconteceu ontem,  durante toda a manhã, a festa de comemoração dos 90 anos do IHGM – Instituto Histórico e Geográfico do Estado do Maranhão, em sua sede, na Rua  de Santa Rita – Centro de São Luís. O evento solene iniciou às 8h30 e beijou a tarde.

O tom de registro histórico das comemorações deu-se com a conferência magna, “Os séculos da Conquista do Maranhão (1615-2015) e seu Conquistador , pelo Dr. Paulo Fernando de Albuquerque Maranhão (RJ), 9º neto de Jerônimo de Albuquerque, bacharel em filosofia, pesquisador, advogado, professor universitário aposentado, correspondente estrangeiro do Instituto português de Heráldica e sócio correspondente dos IHGRN e IHGM .  Em seguida foi apresentado o selo comemorativo e exibidos slides narradores de episódios do instituto.

Houve muitas homenagens, com  entrega de placas aos sócios, Joseth Coutinho Martins de Freitas, Ilzé Vieira de Melo Cordeiro (honorárias), Eneida Vieira da Silva Ostria de Canedo (decana e 1.ª presidente). Entrega de Diploma de Honra ao Mérito ao sócio efetivo professor, José Augusto Silva Oliveira –reitor da Uema e ao presidente do Sinproesemma, professor Júlio Pinheiro, ao Capitão dos Portos do Maranhão, Marcos Tadashi  e in memoriam a Mário Meireles pelo seu centenário.

Além dessas homenagens, houve também lançamento dos livros: “Crônicas de São Luís - 1615: a expulsão francesa do Maranhão sob o olhar indígena” e “Crônicas de São Luís- 1612: a fundação da cidade sob o olhar tupinambá”, ambos pela Editora Haley, de autoria do pesquisador e membro efetivo do IHGM, professor Joseh Carlos Araujo e o livro “Mário Meireles: historiador e poeta”  da sócia efetiva do IHGM, promotora de justiça, professora universitária e pesquisadora, Ana Luiza Almeida Ferro.

  Imagem: Selo IHGM 90 anos

Clique para ampliarSelo comemorativo dos 90 anos do IHGM(Imagem:Selo iHGM 90 anos)Selo comemorativo dos 90 anos do IHGM 
 

 

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Em 2015-08-03 19:01:00 - Por César William

Sem intenção de agradar a políticos ou a sistemas, mas com o propósito de contribuir para que tenhamos uma sociedade consciente e humanizada, atenta aos seus valores, nosso humilde projeto já apresenta resultados bem positivos.


Foi muito gratificante ter convivido com vocês, turilandenses. Juntos, permutamos conhecimentos, discutimos as variantes linguísticas, recitamos, encenamos, debatemos em torna dos aspectos linguísticos e literários. Atentamos para as mais diversas possibilidades discursivas, investigamos campos semânticos, fonológicos, embrenhando-se na sintaxe e juntamos e rejuntamos fragmentos morfológicos para inventarmos classes de palavras que não figuram em qualquer dicionário.

Então, turilandamos, longe de qualquer pressão e sem nos preocuparmos com menção, deleitamos em torno de alguns poemas de autores consagrados, sobretudo contemporâneos, da estirpe de Salgado Maranhão, Ferreira Gullar, Nauro Machado, Paulo Melo Sousa, Celso Borges, Bioque Mesito, Antônio Ailton, Geane Lima Fiddan e de muitos outros. Adotamos a obra "O Triste de Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto, a fim de questionarmos a importância do Tupi Guarani, trazendo a ideia do personagem Major Quaresma para os nossos dias.


O empenho de vocês deu-me ânimo para idas e vindas sem cansaço, mas sempre entusiasmado pelo interesse de cada um. Deram-me prova desse interesse a todo instante, principalmente quando os tive em pleno Domingo de Páscoa, debaixo de forte chuva, sem titubeios ou murmúrios, mas de alma nobre, atentos a cada explanação. Obrigado. Beijo na alma. O projeto continua.

 
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Em 2015-03-10 13:54:00 - Por César William

   O projeto Curso Língua Viva nasceu em Turilândia - MA. A pedido de alguns alunos do curso de Letras do Ceste naquele município, resolvemos unir o útil ao agradável e fundamos o Língua Viva. Trata-se de um curso exclusivo de língua portuguesa e produção textual, com dicas valiosas de literatura. Teve início no último sábado, 7/3, com sucesso absoluto.  Funcionará em caráter itinerante, alternado sábados. O próximo encontro será dia 21/03.

  Nosso objetivo é  atuar em alguns  municípios vizinhos como Santa Helena, Pinheiro e Nunes Freire. Não trabalharemos a disciplina sob o aspecto puramente gramatical, mas passearemos pelo universo das variantes linguísticas, mergulharemos no oceano dos gêneros textuais, contextualizando, interpretando, mexendo e remexendo as palavras em suas mais viáveis possibilidades de mutualismos, até sentir que o aluno está apto a produzir textos. 

  Para tanto, trabalharemos sob fundamentações de teóricos e sob o signos dos desejos e anseios do povo que vive e vivencia nosso idioma, pelos mais variados prismas.

  MAIS INFORMAÇÕES: (98) 987514632 (OI) OU (98) 982277038 (TIM) 

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Em 2014-10-04 13:19:00 - Por César William

 Excetuando alguns alços de catapultas do Levy Fidelix, tivemos um momento ímpar para análise dos eleitores, frente aos candidatos à presidência da República. Se o tempo não fosse de "homens partidos", como diz o poeta Drummond, em um dos seus poemas, todos esses candidatos seriam inteligentemente aproveitados para o próximo exercício. 


Infelizmente, há uma torcida para que alguém caia. Será sempre assim. Entretanto, o desembaraçado discurso contundente da Luciana Genro; as armaduras de aço da Dilma; as miras certas, com humildade do Eduardo Jorge;a astúcia do Aécio; o olhar aguçado ao avesso dos seus adversários, feito pela Marina; a franqueza crua do Fidelix e a coragem do Pr. Everaldo nos revelam uma gama de homens e mulheres que nos inspiram confiança, ainda que não confiemos em tudo o que apregoam.


Luciana Genro é um diamante. Como seria bom segui-la agora, mas com a cabeça doidivana de uma gente que mata, esquarteja e guarda seus bifes secretos em malas de viagem, de um povo que incendeia ônibus, saqueia lojas, mas não tem coragem de boicotar produtos importados e caros; que dá o coração, o pulmão e o fígado pelo seu time preferido, mas que não se atém à falta de aulas do filho em algumas escolas públicas. Povo que quase tudo deturpa, é melhor não. 


Fidelix age muito como agi, assim que cheguei à Uema em Timon, com impulsos, não é viável, seria presa fácil. Eduardo Jorge é muito inteligente, mas não possui ainda muque de estadista, pode ser excelente articulista, ativista. Pastor Everaldo? Como seria bom, mas daqui que se educasse essa gente, uma nova inquisição aconteceria.


E repensando todos, sobra-me Aécio, com suas análises e teses, seus teoremas e também com a exposição de algumas das suas práticas; Marina, com suas escavações, sua bandeira imponente, seu olhar por lentes tridimensionais e a Dilma que tem grande jogo de cintura e demonstra intimidade com o que faz pela maneira como diz seu fazer, surpreendendo aqueles que a julgavam marionete.


 Vou analisar bem estes três e até domingo pela manhã já terei minha conclusão, sigilosa, porque voto é secreto. Ou não é?
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Em 2014-09-02 14:54:00 - Por César William

 Pouco importa evidenciar agora, se o Brasil só veio despertar literariamente diante da sua realidade, a partir de meados do século XX, se só conseguimos maturidade a partir de 1930 ou se foi a geração de 45 que nos legou mais elevado grau dessa maturidade, taxada de pós-modenidade.

 Mas, importa e é necessário dizer que continuamos lançando bons literatos e que a poesia vem a tudo resistindo, mesmo diante de tantas imposições aculturadoras, do genocídio memorial e da tecnocracia cega e burra.

  Sua geografia nos revela um poeta inconformado com a falta de originalidade de um Brasil "agora com poucos Raimundos", de "soldados esquálidos/reprimidos/e sem filosofia". Estes versos, de um poema intitulado Desconexão, expõem a indignação do autor quanto à falta de brasilidade, assunto tão debatido por Mário de Andrade e por seus pares, há quase um século, porém tão presente e desafiador.

 Essa inquietação de Kepler Ribeiro o faz ser inserido no rol dos poetas engajados, revelando um vate denunciador das mazelas do seu tempo, sensível sem ser piegas e também sem apelar para o panfletarismo do qual muitos se oportunizam. Atraído por letreiros de neon, faixa de pedestres, lixões e por gotas d"água caindo no asfalto, suas lentes captam uma urbe sofrida em meio à indiferença humana.

 E é com esse olhar que Kepler iça a cidade adulterada, vilipendiada pelos diluidores que a todo instante inauguram nela uma passarela para o caos. Alheio a rimas ou a arquétipos forjados para tentar transcendentalizar sua estética, o estreante está mais preocupado em denunciar, em expor seu canto de paz contra o vazio que preenche o homem no pó da sua pós-modernidade, a ter que expor habilidades em trabalhar signos que subvertem em vão a linguagem, embora sendo possuidor também de ferramentas que moldam e remoldam a palavra.

 Isso é bem visível no poema  Os Urubus, em  que prodia Raimundo Correia, com dupla função: homenagear o maranhense parnasiano e dizer que nossas pombas são outras, em diálogo que traz à tona os lixões da nossa São Luís, registrando que "não há coração no urubu/ apenas a necessidade de ser aquilo que é". O elemento urbe está contido no elemento urubu e ambos estão intrisecamente ligados com o propósito da denúncia urgente.

 Dessa forma, o autor transfere não só sua dor de observador, mas traduz a dor do que capta que não é mais nem humano nem bicho - lembrando Manuel Bandeira, mas um objeto, um ser não ser, fruto da combustão do egoísmo desmedido, da desigualdade social, fábrica de homens urubus. O poema é fruto do polifonismo, recurso empregado em quase toda a obra.

 Que este primeiro livro seja apenas um convite para outros que hão de surgir, confirmando que São Luís é mesmo terra de poetas, sobretudo de poetas preocupados com suas raízes, confinados a cantar e a prezervar sua terra natal que chegará em breve, ainda que tão golpeada, aos seus 402 anos de existência.

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*César William é poeta, professor e pesquisador.



 



 
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