Em 2013-05-11 18:55:00 - Por César William

 (Em homenagem à minha mãe, Maria Rita de Sousa Costa e a todas as mães, pelo reluzente Dia.)

César William*

      Mãe, há 45 anos a senhora tem sido, depois de Deus, meu escudo e minha fortaleza. Como tudo passou tão rápido. Em muitos momentos se sentiu sozinha, porque era apenas menina, já com tamanha responsabilidade. Quantas vezes, fitando as estrelas, aproveitando as arestas do nosso modesto teto de palha, em noites quase intermináveis, dialogou com Deus, pedindo forças para cuidar do menino prematuro que ninguém dizia que iria sobreviver?

      E em muitas dessas noites, a senhora esteve aflita, derramando lágrimas, sentindo-se impotente diante de tanto compromisso. Mas, juntamente com meu pai, travou luta ferrenha para me manter, juntamente com meus seis irmãozinhos.

     Era tudo tão difícil. Faltava água.  Não tínhamos geladeira, tevê, nem mesmo energia elétrica. Outras vezes, o pão era escasso em nossa mesa, muito escasso, mas nunca faltou amor, ainda que pouco fosse o afeto.

      Esse amor, mãe, foi, é o alimento que não me deixa perecer, mesmo quando ando por lugares ermos, por entre predadores de sonhos. Ele me faz ser valente, destemido, atento ao que vejo e a coisas ocultas.

      Porque, suas mãos abençoadas continuam fazendo render alimentos,  nutrindo sempre meu espírito, sobretudo depois que resolveu ousar: pegar minha mão e me ensinar desenhar as primeiras letras, do seu jeito, do seu modo. Com tão pouca instrução, utilizava-se de mágicos recursos para ver minha mão bordar, trançar palavras.

     Ensinou-me o alfabeto da alma, deu-me doutorado em educação. Mas, depois de crescido falhei tanto mãe, trouxe-lhe alguns dissabores, tantas preocupações, com minhas teimosias, devaneios, existencialismo estrambótico, projetos de outro mundo.

       Mesmo assim, dona Maria Rita, saiba: nossa casa, nossa família foi, é, sempre será minha grande universidade, raiz e asa. Seus cuidados carinhosos com as plantas, com os animais e com o humano, conduziram-me a ser amante da natureza e atento à alma humana.  As vogais e consoantes que me ensinou a desenhar transformaram-me em poeta, escritor maltratado às vezes por um homem ansioso que se deixa envenenar pela indiferença de uns e ser ferido por lâminas hostis do sarcasmo de outros. Mas, serenarei, mãe, uma hora serenarei, mesmo diante de tudo isso, obedecendo ao que a senhora sempre pede que eu o faça.

      Hoje, sábia Ritinha, sou professor, entretanto, jamais ministrarei uma aula como aquelas que a senhora planejava com a alma prenhe de desejo de me transformar em cidadão do bem. Obrigado, mãezinha, prossigo em busca do sol, mas saiba mais: pelas universidades por que passei, a senhora continua sendo minha doutora inigualável. Eis aqui seu diploma, este textozinho sem pretensões literárias, para dizer que te amo, antecipando votos de FELIZ DIA DAS MÃES.

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Ps.: Beijo na alma, obrigado por esse caráter ilibado, por essa resistência e por ser um ser tão raro em um mundo em que a maioria das pessoas são tão superficiais, bestificadas por títulos, rótulos e igrejismos.      

*Poeta, professor e pesquisador.

 

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Em 2013-03-20 18:07:00 - Por César William

 Por César William*

          Profissional sob mil e um aparato técnico, didático, desde tenra idade, comendo sopinha de letras e números já a partir dos 4 anos. Seu percurso, se retilíneo, durará em média uns 20 anos, envolvendo graduação, pós-graduação,  mestrado e a troco de muito risco, doutorado, sem levar em conta seus investimentos para concursos públicos, formações continuadas, milhões de leituras, outras especializações afins etc.

     Eis que o professor pirou. Suas responsabilidades aumentaram e mesmo buscando cada vez mais especializar-se, as exigências do mercado deixam seu salário a distância da sua compatibilidade, em uma velocidade cada vez mais ciclônica. Imagine, caro leitor, um professor das séries finais do Ensino Fundamental, de uma jornada de 40h, em um município brasileiro qualquer, só para se ter um exemplo, com um salário líquido (porque bruto é uma forma de iludi-lo mais ainda), em  torno de R$ 1.800,00 (mil e oitocentos reais), onde se chega a isso, sem definição de seus horários a cumprir e sem espaço físico, estrutura mínima para permanecer 2/3 da sua carga horária  na escola em que trabalha.

        Depois de tão longo percurso, engolindo gatos e lagartos, em ato heroico e quase suicida, esse profissional, pensando ter conquistado com braço forte sua própria liberdade, depara-se com uma triste realidade, a de que não teve nem glória no passado nem terá paz no futuro.

            Porque seus direitos, para que existam pelo menos parcialmente, obrigam-no a ter que deixar muitas vezes sala de aula, afastar-se do ofício para o qual, com esmero, amor e sacrifício, preparou-se, tendo inclusive que ir à busca dos seus soldos, até aos sábados.

            Então, começa a saga meio quixotesca, ulisseana, misturando-se a outras em uma rapidez instantânea: reuniões pedagógicas (as agendadas e outras paraquedistas), também com possíveis sindicatos, pais de alunos, gestores escolares e municipais, coordenadores de projetos mil...

            Além disso (a água ainda não está nem na canela), há os programas federais, olimpíadas de tanta coisa: Língua Portuguesa, Matemática, Química, Geografia, Astronomia, Prova e Provinha Brasil... Paremos um pouco, ufa!

            E tome projetos de leitura (muitos dos quais sem haver nada de leitura), datas comemorativas, durante todo o "ano letivo", sem esquecer os arraiás juninos e mais reuniões para anarriês matutinos e vespertinos. Acalme-se, leitor, está só começando.

            Ainda falta se reunir para discutir o PDD, PDDE, PPP, Fundeb, trabalhar para alcançar resultado satisfatório ao Ideb. Nossa!, está ficando picante, antes mesmo de se falar sobre Conselho Escolar, Plano de Cargos e Carreiras, PCNs,  evasões, casos omissos... E tome mais reuniões! Falta elaborar as avaliações, digitar, providenciar impressão...

            Avaliação de segunda, terceira chamada. Entrega das notas até no máximo o dia que está expresso no mural, no mesmo em que está também já marcada a próxima reunião do sindicato e o início dos ensaios para a comemoração ao Dia das Mães, lembrando que a para festa junina já se deve avisar aos alunos o que cada um deve trazer e que após se desarmar a última barraca, haverá nova reunião para se comentar, agora sobre o Dia dos Pais.

            Em meio a tudo isso, não (muito) raro, ainda ocorre que às vezes, quase morto, esse herói nacional vai ao banco receber seu dinheiro, e nada! Sobe-lhe uma bola de fogo rasgando-lhe o peito, desgovernando o coração,  pondo-o em um caldeirão de angústia. Liga para a Secretaria de Educação, ninguém atende, também para o sindicato, já está fechado. Arrisca ligar para um amigo, os créditos acabam.

            Volta pálido para casa (lembrando Drummond). Já é tarde. Precisa de dinheiro. O filho está tossindo. Gás de cozinha disse tchau. Agora é sábado! Outra vez vai ao banco, e nada! Pensa mil e uma coisas, lembra-se dos diários, das notas a entregar e volta mais pálido ainda para casa.
          Mas, no finalzinho do limiar da esperança, encontra-se com um amigo que lhe diz que o dinheiro sairá segunda feira. Segunda chega: aula, aula, aula, aula... Dinheiro só terça: aula, aula, aula... E assim vai sendo furado pelo calendário, durante os “duzentos” dias do "ano letivo", tornando-se quase insano.  Até quando Brasil, até quando?

*Poeta, professor e pesquisador.

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Em 2013-03-13 19:41:00 - Por César William

 Por *César William

    “Todo dia é dia de tudo”, diz a sabedoria popular. Mas, o que seria do calendário, se não houvesse datas específicas para determinadas comemorações? 14 de março, instituído não sei por quem, é comemorado no Brasil o Dia Nacional da Poesia, uma justa homenagem que se faz ao poeta dos escravos, Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871) que nascera em Curralinhos – BA, no referido dia.

   Mas, é de conhecimento de muitos que há um senador querendo alterar a data para o dia 31/10, porque esta é a do nascimento do poeta mineiro, Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987). Não me perguntem se essa ideia é falta do que fazer ou mesmo cegueira por não se ater a tantas coisas necessárias e urgentes para se inventar neste país da bunda e da bola.

   Drummond ficaria enojado com essa transferência de placa, haja vista que nem seu nome em praças e ruas ele aprovava. Seu bronze em Copacabana é bem provável que também não aprovaria. E hoje, falando de poesia, não poderíamos esquecer sua mensagem sobre um momento do seu fazer poético: ”Gastei uma hora pensando em um verso/ que a pena não quer escrever./ No entanto ele está cá dentro/ inquieto, vivo./Ele está cá dentro e não quer sair./Mas a poesia deste momento/Inunda minha vida inteira”.

         Esse depoimento drummoniano explicita que a poesia não deve ser concebida como uma coisa pronta, acabada e que também o ato de escrever poemas não é tarefa simples, como muitos equivocadamente pensam, não se trata de dom, mas de busca. Todos têm poesia em seu interior, porque ela está em toda parte, sob as mais diversas formas e dimensões.

         O que muitos (quase todos) não fazem é canalizar essa possibilidade. Para explicar que não conseguia escrever um verso, Drummond escreveu um belo poema metapoético, porque não basta dominar um idioma, entender suas normas. Por isso, sempre lembramos o notório caso trazido a lume pelo poeta Paul Valéry, ao revelar que em determinado momento o pintor Degas comentou com o amigo Mallarmé que possuía boas ideias, mas que com elas não sabia produzir um poema, então Mallarmé disparou: “Poemas não se fazem com ideias, mas com palavras”.

           Entretanto, há muita confusão quanto ao entendimento desse fazer literário, a poesia. Muitos confundem estéticas, estilos e terminam não se atendo ao fato de que só inspiração não basta, pois é necessário que se leia poesia ou que se leia o mundo em poesia para que os poemas surjam.

    Porque poesia é a estética ou a essência e poema é o resultado da busca dessa essência. Observem que Drummond já o tinha, mas não conseguia trazê-lo à tona. De repente, para comentar seu momento de dificuldade para escrever um verso, escreveu sete - eis seu poema, fruto da poesia que inundava sua alma.   

   O filme “O carteiro e o poeta” (1994), dirigido por Michael Radiford, leva-nos a refletir o quanto é preciso buscar fundo as ideias e apresentá-las em palavras selecionadas para cada intenção, cada circunstância. Philippe Noiret interpreta o poeta Chileno Pablo Neruda que em função da sua arte vai à Itália  à cata de subsídios para sua obra, observando o movimento das ondas do mar e transformando-o em versos, justificando o que Drummond dissera.

     O poeta piauiense, Paulo Machado, é bastante sintético e feliz ao dizer em seu poema Postulado que “fazer poema é fácil/como amordaçar um lobo”. Do ponto de vista emocional ninguém notará poesia nesses versos, mas sob o aspecto laboral por que há de passar o poema, sua mensagem é, além de original, de uma força sintética capaz de dizer em apenas um dístico o que renderiam aproximadamente umas cinquenta laudas para se dizer ao leitor. Isso também é poesia, boa poesia, porque contem não somente ineditismo, mas um processo de comparação raríssimo e coalhado de imagens.

    Não obstante ao foco do nosso texto que é comentar este 14 de março, como Dia Nacional da Poesia, insisto em dizer que a confusão em torno desse gênero literário é tamanha. Muitos livros didáticos contribuem para que haja ainda muitos equívocos em torno desse assunto. Basta lembrar que para conduzir alunos para participarem da Olimpíada de Língua Portuguesa, encontramos muita resistência para a adoção da verdadeira concepção em torno do referido gênero, dado a antigos tabus ou meias verdades.

     No mais, viva a poesia!, a poesia brasileira universalizada por Castro Alves, Sousândrade, Gonçalves Dias, Mário Faustino, Nauro Machado, Manoel de Barros, Paulo Leminski, Cristina Cesar, Mario Quintana, Manuel Bandeira, Salgado Maranhão, José Chagas, Martha Mediros, Bandeira Tribuzi, Frerreira Gullar, enfim, a poesia dos nossos poetas, inclusive a minha possível poesiazinha, por que não?

         E só para encerrar. Hoje, 14 de março, Dia Nacional da Poesia, estaremos, eu, Geane Fiddan, Rosemary Rêgo, Danilo, Daniel e Walquíria na Praça Gonçalves Dias, em São Luís, a partir das 18h, recitando o poema “Ainda uma vez adeus”. Também recitaremos alguns poemas de nossa lavra. Trata-se do Projeto Poesia Sempre que a cada ano homenageará um poeta, nessa primeira edição, nada melhor que Gonçalves Dias. FELIZ DIA NACIONAL DA POESIA, COM MUITAS REFLEXÕES!

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*Poeta, professor e pesquisador.

                    

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Em 2013-02-19 19:09:00 - Por César William

 Por César William**

        Há uma palavra que está me tirando a calma: Deuzimar. Acalme-se, leitor. Não se trata de débito, paixão nem adversidade. É que no meu celular esse nome está registrado quatro vezes, versando pessoas diferentes: Deuzimar, diretora do Cesti/Uema; Deuzimar, revisor do Tribuna do Maranhão, companheiro de trabalho; Deuzimar, um contista de Fortaleza – CE, que conheci no 5º Salão do Livro do Piauí e agora, como se não bastasse, uma Deuzimar pianista, de Teresina que conheci na Rua Gabriel Ferreira, naquela cidade, exatamente quando eu conversava com o Deuzimar revisor, sobre MPB.

        O mais instigante em tudo isso é que todas essas criaturas homonimizadas disseram-me que seu nome é grafado mesmo com z, quando deveria ser com s, respeitando a norma ortográfica que não mudou nesse âmbito: após ditongo, grafa-se com s e não com z.

        Mas, isso é assunto sem relevância, pelo menos agora. Quero escrever mesmo é sobre Deuzimar. O leitor poderá perguntar: qual delas, melhor, qual deles? Vou arriscar comentar algo acerca de uma que tem sido minha mestra, além de grande irmã, exemplo de atos de civilidade e humanismo quase que diários a este cronista: Deuzimar Costa Serra – diretora do Cesti/Uema, doutoranda, excelência em Educação.

        Primeiramente, enfatizo que o referido nome foi-lhe muitíssimo bem empregado. Ela é mesmo uma deusa, talvez “deusa Midas”, porque tudo o que toca vira ouro. Que o digam suas estudiosas filhas e o próprio Cesti/Uema.

        Essa cidadã, que nascera no dia 8 de janeiro, mas que em seu registro de nascimento consta como se estivesse sido no dia 7. Talvez quem assim o fez, apenas quis universalizar sua aparição, lembrando os sete fôlegos do gato, os sete dias da semana, o descanso de Deus no sétimo, dos sete pães e das sete maravilhas do mundo. E, eureca!, ela nascera no Dia do Leitor.

        Convém lembrar ainda que a semana para ela parece ter mais de sete dias e que descanso é uma palavra quase abolida do seu dicionário. É que essa gestora vive a todo momento fazendo ofícios, petições, pondo e retirando documentos nas sete bolsas que carrega diariamente, durante os sete dias da semana e mais outros que ela cria. Tudo em prol do Cesti/Uema. A propósito, um dos seus endereços eletrônicos é deusacestiuema@yahoo.com.br e seu nome deveria ser Deuzimar Cesti Uema da Silva 24 Horas.

        E de tanto solicitar apoio àquela instituição, já fora recebida com a alcunha de freira, prefiro dizer que ela é mesmo uma criatura freireana, pois é tão defensora e seguidora das idéias de Paulo Freire que em certa ocasião, no Centro de Treinamento Wall Ferraz, uma palestrante ia pronunciar o nome de um outro teórico, mas quando a viu, chamou foi Paulo Freire e pedira desculpas a plateia, explicando que a chegada da Deuzimar causou-lhe desvio no discurso.

         Mais interessante é que ela é mágica, e não me refiro à sua beleza, porém às suas múltiplas ações – assume mil e um desafios e não pestaneja (literalmente falando) diante de nenhum. A mulher parece que nem dorme. É só Uema, Uema, Uema, Uema e Uema.

        Quando pensamos que ela está em Timon, já está chegando a Fortaleza. Quando imaginamos que está no Ceará, liga da capital maranhense, da sala da Pró-Reitoria da Uema. A secretária vai avisando sua estada em São Luís, o telefone toca, é ela, dizendo que já está em Caxias, participando de uma reunião, mas já está chegando, tudo sem invencionismo ou fuga.

        Agora, ufa!, ela inventou um cordel, retratando o Estatuto do Idoso. Este autor, juntamente com uma amiga, Luciana Maria Barros de Oliveira, colega daquela IES,  passamos o Natal, o Reveillon e, pelo visto chegaremos ao Carnaval debruçados nesse ousado e importante projeto. E mais, fomos contaminados pelo vírus da mestra. Sorte nossa, ainda bem que é um vírus do bem. Estamos, pois, deuzimarzeados.

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 *Texto publicado no jornal Tribuna do Maranhão, na coluna César William, na página Caleidoscópio Cultural, em 21.01.2009 e aqui reeditado para homenagear a Doutora em Educação, Deuzimar Serra, atual secretária de Educação do município de Caxias-MA, pela sua luta perseverante em prol da Educação, tão maltratada neste país.

**Poeta, professor e pesquisador.

 

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Em 2013-02-11 17:58:00 - Por César William

Por César William*

Causou angústia em muitos a atitude do atual prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior, não liberar cerca de R$ 2 bi para a realização do tradicional Carnaval de Passarela, estilo de desfile influenciado por grandes cidades brasileiras como Rio de Janeiro e São Paulo.

Pertinente é lembrar que para São Luís chegar ao nível dessas metrópoles ou pelo menos ser razoavelmente comparada a elas, nesse âmbito,sem cair no ridículo, necessários seriam muito mais que três bilhões.

O atual prefeito alega que não há capital disponível para esse tipo de festa, pelo menos para este ano, pois enquanto se montaria passarela, hospitais ficariam sem receber verba mínima para atendimento ao povo.

A decisão do prefeito além de causar angústia em muitos, vem servindo de combustível no tanque dos seus adversários políticos que o criticam, instigando o povo a se indignar diante da negação ao passarelismo.

Notadamente, o gestor fez o que qualquer pai de família sensato faria em sua casa: cortar o supérfluo em função do essencial em momento de crise. Mas, infelizmente há muitos pontos por trás desse assunto montanhoso, oportunistas já viciados em tirar proveito da chamada “festa do povo”, politiqueiros buscando promoção e outros se valendo da "Panem et Circense" - a política do pão e circo.

Bom saber que o termo latino surgiu por volta do ano 100 d.C., quando Juvenal, poeta romano, indignou-se com a postura do povo de Roma que não se interessava por assuntos políticos, não refletia em torno dos seus problemas, e que facilmente se conformava, bastando receber festas e alimentos.

Se atentarmos para a passarela ideológica do Edivaldo Holanda Júnior, veremos que o propósito dela é conduzir o povo à sua realidade, querendo abrir-lhe olhos e ouvidos e dizer-lhe que às vezes o circo de agora será a falta do pão de amanhã.

Isso nos parece pertinente, mas já ouvi outros discursos, o de que o gestor é evangélico e que detesta Carnaval. Entendemos que gostando ou não da tradicional festa, um fato não invalida o outro.

Se o gestor não é adepto da tradição pagã, se sua formação não abraça tal festança, sob outro prisma, se ele fosse fanfarreiro, isso não tiraria a precariedade da sofrida São Luís, o que não o impediria de tomar sábia decisão.

Então, não adianta tentarem usar a formação religiosa do gestor em detrimento de proveitinhos meramente politiqueiros, almejando seu cetro, mudando a direção dos ventos ou traindo a biruta.

A cidade de Bandeira Tribuzi precisa ter praças recuperadas como a Deodoro, tradicional centro de importantes manifestações que tinha o Panteon Maranhense e que hoje é um tremendo “bugingangueirismo”, armazém de coisas duvidosas e base para homens sem base, direção ou visão e que nela ainda adormece em antiguíssima reforma a Biblioteca Pública Benedito Leite.

Que a Praça da Alegria virou chão seco de angústia e alojamento de cachorros, quentes, sob manipulação de mãos não (tão) limpas para atender boa parte de uma população desnorteada e já sem a mínima noção de higiene, isso para citarmos apenas dois casos.

E para não dizerem que estamos fazendo campanha prol Edivaldo Holanda Júnior, encerraremos, exigindo dele que essa economia seja realmente para investimentos na Saúde e se possível na tão vilipendiada Educação, e não para se transformar em helicópteros e jatinhos particulares para sobrevoos rasantes em parte de uma população às vezes tão ingênua e sonolenta.
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*Poeta, professor e pesquisador.

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Em 2013-02-07 17:13:00 - Por César William

Por César William**


Há 190 anos nascia, em Caxias- MA, aquele que viria se tornar, duas décadas mais tarde, após sua estréia literária, o maior ícone do romantismo e um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos: Antônio Gonçalves Dias -professor, dramaturgo, crítico de história e etnólogo.

Ele cantou sua terra como ninguém, deixou sua marca em sensíveis pétalas de flores românticas, ultrapassou limites de sua geração e vem, por meio da sua grandiosa produção, atravessando incólume o tempo.

Autor de “Primeiros Cantos”, “Segundos Cantos”, “Últimos Cantos, “Sextilhas de Frei Antão”, “I-Juca Pirama” e tantas outras obras, Gonçalves Dias foi também dicionarista, guardião aguerrido do nosso verdadeiro idioma pátrio, o tupi guarani.

Essa língua-mãe está impregnada em seus versos em que a valorização ao índio vai muito além de uma convenção poética, tratando-se, pois, da reafirmação dos intuitos nacionalistas. Mas seu legado não se consubstancia apenas sob os aspectos conteudísticos, além de trazer à tona sua farta sensibilidade ao cantar o mar, as florestas, os bosques, as estrelas e as ninfas, o vate também nos brinda requinte estilístico.

Esse sofisticado jogo estético é bem perceptível em seus antológicos poemas indianistas: “I-Juca Pirama”, “O Canto do Piaga”, “Leito de Folhas Verdes”, “Canção do Tamoio” e “Marabá”. Bastaria que Gonçalves Dias escrevesse apenas um desses textos para já merecer o respeito e a admiração de todos e por toda a eternidade.

E se esses poemas são exemplos de canonização estética, “Canção do Exílio” é o símbolo máximo de amor à pátria, tratando-se de um poema único, um dos mais conhecidos, lidos e festejados por todos. Parodiado, parafraseado e vivenciado por inúmeros autores, influenciando gerações em suas mais diversas correntes literárias e estilos.

Em “Canção do Exílio” não detectamos apenas o romântico sensível ou ufanista, mas o autêntico representante da sua pátria, um sábio sabiá que tão bem traduziu sua dor de saudosismo nostálgico, a ponto de dois versos da segunda estrofe do poema serem citados no Hino Nacional: ”Nossos bosques têm mais vida”, “Nossa vida mais amores”.

Não é em vão que Otton Maria Carpeaux sobre ele afirmou se tratar “do primeiro poeta verdadeiramente nacional” e José Veríssimo assinalou: “é o maior e mais completo poeta do Brasil”. Festejemos, pois, este 10 de agosto, comemorando a data de aniversário do autor de "Canção do Exílio", com orgulho maior, o de ser maranhense como a gente.
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*Texto publicado no Jornal Tribuna do Maranhão, em 19/08/2010 e lido pelo próprio autor em 10/08, data de nascimento do poeta, na praça Gonçalves Dias, em Caxias-MA,  em evento realizado pela Academia Caxiense de Letras.
 
**Poeta,professor e pesquisador.

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Em 2013-01-04 17:08:00 - Por César William

*Por César William

  Enquanto não chega setembro, é tempo para se homenagear aquela que chegou ao seu quarto centenário, com mais de um quarto da sua face original desconfigurada, quer pela ação do tempo, quer pela indiferença humana ou pela “força da grana que ergue e destrói coisas belas”, na maioria das vezes.

  Tudo o que já foi dito de bom para homenagear São Luís é pouco, diante da sua riqueza cultural, contempladora das múltiplas facetas no mundo artístico: literatura, música, folclore, arquitetura, artes plásticas, cênicas etc.

 Mas, há que se registrar que ao invés de bolos e fogos, melhor seria oferecer à outrora conceituada com o epíteto de Atenas Brasileira cápsulas de consciência ao seu povo - cerca de um milhão de habitantes e a seus governantes, pois boa parte destes sequer conhece e se preocupa em conhecer sua História.

  Esse desinteresse conduz a maioria dos ludovicenses a um boicote involuntário acerca da memória da terra de Ferreira Gullar que já no final da terça parte do século XX, registrava em seu Poema Sujo que “debaixo das palafitas/ onde moram os operários da Fábrica/ de Fiação e Tecidos da Camboa/ Assim apodrece o Anil/ ao leste de nossa cidade/ que foi fundada por franceses em 1612/ e que já o encontraram apodrecendo”.

  E o que diremos hoje do Rio Anil? Que virou nome de shopping? O que dele flui? E a urbe que no dizer de Bandeira Tribuzi, em seus versos, também em mesma época “vista do mar, a cidade,/ subindo suas ladeiras,/ parece humilde presépio/ levantado por mãos puras”?
São Luís é, de fato, uma cidade mágica, com potencial turístico. E, independentemente dos títulos que hoje ostenta, é promissora quanto ao polo de desenvolvimento econômico e privilegiada quanto ao seu complexo portuário, que a torna uma cidade de fácil acessibilidade ao mundo, embora ela não seja erguida hoje por mãos (tão) puras, como fora na visão do vate.

  Também continua revelando nomes que a emblematizam no cenário das letras, porém necessitando que sua gente entenda que Odorico Mendes, João Lisboa, Artur e Aluísio Azevedo, Graça Aranha, dentre muitos outros, não são apenas nomes de praças, ruas e prédios e que precisam ser lidos.

  Da mesma forma, novos poetas e prosadores devem ser apreciados, difundidas suas obras. Que nossa cidade não sirva apenas como fonte exótica para pesquisas ou registros cinematográficos ou fundos novelísticos mal fundamentados. A cidade merece mais, merece ser cidade.

  Que muitos dos seus casarões não sejam só cascas, fachadas para abrigo da indigência e do descaso. Que seus azulejos não sejam substituídos por vidraças, que seus telhados, tão bem cantados pelo poeta José Chagas, não se transformem em lajes que aleijam sua memória.

  Que suas ruas estreitas e ladeiras não sejam latrinas. Que suas praças não sejam depósitos de bugigangas, com homens se iludindo nas curvas do tempo. Que suas bibliotecas não se fechem ao povo como em antigos mosteiros. Que suas pontes apontem para o progresso, sem trazer-lhe regresso. Que cantemos  teu hino, São Luís, para que aprendamos tua poesia, sempre.
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Poeta, professor e pesquisador.


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Em 2012-05-08 17:32:00 - Por César William

Por César William*

  Virou modismo barato “investimentos” em prol da leitura, modismo perigoso, estantes do engodo. Ainda bem que há exceções, mas no geral o que existe mesmo é muito desvio de dinheiro contracenando com pseudobibliotecas e pseudo-incentivadores.

 De uma hora para outra inventam as mais esdrúxulas fórmulas para enganar incautos. A maioria das crianças não entende grande parte de alguns desses truques. Eles são, de fato, marketing para alguns gestores, maquiagem vencida sobre faces tão verdes.

 Mas em meio a essa perversa manobra, podemos registrar trabalhos enriquecedores, pautados verdadeiramente no âmbito da leitura, para amplidão da legião de leitores – meninos e meninas, jovens, senhores e senhoras mais politizados e conscientes da importância do ato de ler.

 É o que acontece, por exemplo, na Escola Tomé Francisco, no povoado rural de Lagoa da Cruz, no alto de uma serra do Sertão do Pajeú, em Quixaba (PE), a 470 quilômetros de Recife, que tem apenas três mil habitantes.

 Apesar da localidade de difícil acesso, a escola se tornou famosa e vem atraindo alunos de cidades vizinhas, em função da qualidade do seu ensino. Graças ao projeto O Prazer de Ler, a escola que tem cerca de 800 alunos, do ensino fundamental ao ensino médio, hoje é destacada nacionalmente pelo resultado tanto do Ideb – Índice de educação básica, quanto do Enem – Exame Nacional do Ensino Médio, superando expectativas do próprio MEC.

 Durante todo o ano, projetos de leitura são trabalhados para despertarem interesse nos alunos e servirem como suporte para um melhor aprendizado. Tem dado certo. Só o projeto O Prazer de Ler já existe há uma década.

 Por esses responsáveis investimentos, em 2009 a Escola Tomé Francisco conquistou o título de melhor escola pública de Pernambuco. No mesmo ano, obteve o segundo lugar no Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar, promovido pelo Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed). No Enem de 2010, obteve nota 585,33, ficando em primeiro lugar entre as escolas regulares de Pernambuco.

 Enquanto isso, de acordo com pesquisadores, O Maranhão apresenta baixo índice de leitura e tem suas políticas culturais mais voltadas para o Carnaval e São João. A mais importante biblioteca, a Benedito Leite, localizada na Praça Deodoro, há muito está em processo de reforma. Somos carentes de bibliotecas, museus. Na maioria das escolas o que há são depósitos de livros sendo erroneamente intitulados de bibliotecas.

 Além de todos esses problemas, como se fossem poucos, ainda há os maquiadores. Eles fingem que investem em leituras, que instigam alunos a esse ato, mas em muitos casos o que estão mesmo é fabricando engodo, a serviço de alguns maléficos gestores que só leem mesmo suas gorduchas contas bancárias.

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*Poeta, professor e pesquisador.
 

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Em 2012-02-28 15:57:00 - Por César William

Por César William

Senhores leitores, sou um porquê inconformado, inquieto. Venho, respeitosamente, expor meus descontentamentos em relação àqueles que muitas vezes me empregam segundo seus “caprichos”, suas normas inconscientes, usando-me de qualquer modo.

É um desabafo que elevo às autoridades lingüísticas, aos estudiosos, gramáticos, NGB, eruditos, vestibulandos, pré-vestibulandos, professores e meros curiosos.

Afinal, tenho personalidade e não vejo por que tantas normas acerca da minha pessoa, se todos quebram os vidros que revestem tais.

Porque sou um cidadão que tem livre arbítrio é que venho aqui registrar meu repúdio aos que tornam os porquês tão adulterados, vilipendiados, simplesmente por negligenciarem a língua e m uso.

Se quero a andar junto, separado, com ou sem chapéu, é questão minha, e bem particular. Por que hei de me curvar a normas que anão criei, por quê?

porque me prezo é que agora reivindico uma explicação a essas regras inerentes a mim, quando todos, exceto eu, gozam do privilégio  de se servirem delas, embora  muitas vezes fazendo mau uso das mesmas.

E por isso me vejo distante de mim mesmo, aflito e desabrigado. Sou ou não um filho tupi? Ou sou grego, latino? Que importa agora minha origem, minha etimologia? Nada disso importa agora. Não importa se meu clamor é fonético, morfológico, sintático ou semântico. Pois o que venho questionar é que ninguém deve ter mais direitos sobre mim do que eu mesmo.

Se sou causa, motivo, razão, explicação, relação, finalidade, expressão isolada, substantivada, realce (...), nada disso importa, mas importa e é necessário  e urge que me valorizem  como sou        e nas circunstâncias em que me encontrar.

Que o digam os senhores: Cegalla, Sacconi, Eranani, Celso Cunha, Mauro Ferreira, Douglas Tufano, José Rebouças, Sargentim, Faraco, Nicola,Ulisses,  Ramiro, Spadoto, Hidelbrando, Paschoalin, Moura, Pasquale e outros.

Também que apregoem os  colégios, cursinhos, universidades, NGB, desde o ABC. Mas que valham aquilo que cantarolam os seguidores dessas normas, porque já estou farto de me sentir quilhotinado, babando nas entrelinhas quando deveria estar uno e sob o sol do erro alheio, quando deveria estar sombreado pelo meu chapéu.

Poupo da minha exigência, do meu desabafo: os que nunca foram à escola, aqueles que ficaram na metade da metade do caminho do aprendizado ou quem ainda não se encontra em tal e percurso.

Mas não poupo o aluno (mesmo o do 6º ano), o universitário, o doutor, o professor, o jornalista , o escritor (inclusive este que ousa escrever a meu respeito). Não poupo os diplomatas , porque por mim passaram, estiveram muitos anos comigo, tento portanto plena obrigação de conhecer meu poder mutável.

Não poupo presidentes, nem de associação, principalmente de escritores. Por que hei poupá-los, por quê? Ninguém tem dó de mim quando sou pichado nos exercícios, nas provinhas, ou quando sou apagado impiedosamente por quem me corrige ou policia.

Nas redações dos vestibulares ninguém me perdoa, ninguém. Não tenho o direito de me expressar como quero nem de ficar com quem quero. Simplesmente sou eliminado e porque isso acontece é que fico nessa a angústia. Às vezes até sem saber o porquê de tanta exigência a meu respeito, porque quando querem que eu seja eu mesmo, todos dão um jeitinho, mas quando sou eu que quero ficar à vontade, sou ridicularizado.

Então, por que terei de perdoa-los, por quê? Fica aqui minha porqueirenta contestação, quem dela desconfiar é só estudar a meu respeito.

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*Do livro "Oficina das Palavras - Dicas imprescindíveis da Língua Portuguesa"

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Em 2011-11-16 21:04:38 - Por César William

Por César William*

Poderia dispensar as aspas para evidenciar uma pérola neológica, uma substância aglutinada a partir de um coloquialismo e um adjetivo, ao mesmo tempo suave e implacável feito aço, tão duro como diamante ou como o "buckypaper”, material recém-descoberto, um derivado do Carbono 60, capaz de a tudo resistir. Papoético é mais um invencionismo daquele que uiva palavras pelas ruas de São Luís, à base de poesia e poesia, Paulo Melo Sousa. Conheci esse camarada no final da década de 1980, precisamente na Biblioteca Pública Benedito Leite.

Na época, São Luís era mais rica, pois contava com as livrarias Espaço Aberto e Acalanto (hoje só placa), essas duas casas davam à rua do sol um tom luminoso, era roteiro predileto dos apreciadores das boas obras, amantes das boas leituras.Embora eu raramente tivesse grana para comprar algum livro, vez e outra estava por lá.

O contato com alguns clientes, fascinados pelas letras era-me um passo para possíveis cumplicidades com o universo literário. Deu certo. Bem próximo da Espaço Aberto descobri a então sede do PT e um outro camarada que vi vendendo cartazes e camisetas poéticos na Deodoro, agora estava por lá, em uma sala intitulada Zé Hemetério, trata-se do Ribamar Filho.

Sem saber, estava indo às audições do Poeme-se, um grupo de poetas que para muitos era considerado fechado, mas descobri logo que outros poetas é que se fechavam para ele e não sabiam. O diabo é que eu já havia publicado meu primeiro livro, o opúsculo “O Errante”, se eu tivesse comparecido a pelo menos uma reunião do Poeme-se, confesso, não o teria publicado. Mas isso é outra história.

Aos poucos fui me envolvendo com alguns movimentos, paguei caro por isso, porque minha mãe me dava dinheiro de passagem pensando que eu estava à cata de emprego, entretanto ia assistir, na Rua do Sol, a encenações, recitais, bate-papos literários, análises discursivas etc. Era isso que muitos não entendiam.

Mas, os poetas do Poeme-se só queriam chão para se pôr os pés. Tiveram um papel importantíssimo na minha vida e na de muitos e muitos que os procuravam. Quando entrei para o curso de Letras, muitos professores inventaram pólvora para mim, graças ao Poeme-se. O grupo se dissolveu, melhor, dilatou-se, depois surgiu o Graal, mas o Paulo Melo Sousa já vinha de outras experiências com os Párias. Estes tiveram também uma importante função, sobretudo ao despertarem inovações nos festivais de poesia promovidos pelo DAC/UFMA, que aconteciam no auditório Jarbas Passarinho.

Poeme-se imortalizou-se com suas performances, envolvendo atores, poetas, mímicos etc. Lembro-me do Urias de Oliveira, da Rosa Ewerton, Claudio Terças, Geraldo Reis e de muitos outros que por ali arriscavam voos fora da asa. Depois foram chegando Eduardo Júlio, Dyl Pires e outros.

Hoje Poeme-se é nome de livraria, espaço para negociações culturais, resistindo à indiferença de uns e à cegueira de outros, na Rua João Gualberto, na Praia Grande, mas temperando olhos e aquecendo almas dos que por ali surgem atrás de um punhado de livros bons, raros e por preços acessíveis.

Depois de toda essa façanha, quando penso que o bonde já passou, eis que a intrepidez de Paulo Melo Sousa traz à tona o PAPOÉTICO –um lugar, um evento, um movimento, um santuário, um novo sopro às narinas dos amantes das letras, das artes, da conscientização sócio-políti

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